sábado, 7 de junho de 2014

Cartas para Ela (2014 #03) - Breve Cena

BREVE CENA

GABRIEL W. TUDOR

Sempre achei espiritualmente interessante como prazer e estado de graça se envolvem de tal forma que, perdidos um no outro, nunca fui muito capaz de distinguí-los.

O calor que repentinamente inflama veias e faz o coração disparar, o nó na garganta quando se prende uma vontade intensa que quer saltar para fora do corpo e se expressar a plenos pulmões, o desejo de uma impossibilidade física: estar tão pertos ao ponto de nos misturarmos numa massa única e intensa de sentimento e carne.

Ultimamente as semanas tem sido excepcionalmente interessantes… Apesar de ter passado tempo demais conformado com uma certa paz de espírito que agora percebo, não apontava um estado de serenidade, mas conformismo com certos acontecimentos duros do passado.

Aquelas esquinas.

Eis que me encontro surpreso, pois apaixonar e desejar simultaneamente, conceder carinhos e carícias, encontrar amor e fetiche, me parecia algo perdido neste longo caminho que me conduziu até o tempo presente. Uma sensação deliciosa que não quero, nem preciso, abrir mão.

E estou aqui para aproveitar cada momento enquanto durar este bem estar.

E estarei aí para aproveitar cada momento enquanto esta peça me concede a oportunidade para cumprir meu empolgante papel.

Ainda que incerto e breve.

Encenado no instante de um abraço de boa noite.