quarta-feira, 23 de março de 2011

coisas que falam sobre coisas: cimeria (robert e. howard) *traduçao


eu me lembro
das florestas escuras, mascarando encostas de colinas sombrias;
da perpetua abobada plumbea em pesadas nuvens;
das correntes crepusculares que fluiam em silencio,
e dos ventos solitarios, sussurros no desfiladeiro.

paisagens se sobrepondo, colina sobre colina,
encosta por encosta, cada uma povoada de arvores tristes,
nossa terra descarnada jazia. e quando um homem subia
um pico aspero e contemplava, olhos protegidos,
via nada alem da paisagem infinita - colina sobre colina,
encosta por encosta, cobertas como suas irmas.

era terra de melancolia que parecia abrigar
todos os ventos e nuvens e sonhos afugentados do sol,
os galhos despidos agitavam-se por ventos solitarios,
e florestas recolhidas, de todo meditativas,
nem mesmo iluminadas pelo sol raro e esmaecido,
que tornava homens, sombras encolhidas; eles a chamavam de
cimeria, terra da noite e das trevas.

foi ha tanto tempo, tao longe daqui
que esqueci ate mesmo o nome pelo qual os homens me chamavam.
o machado e a lança de ponta em silex sao como um sonho,
e caçadas e guerras, sombras. lembro-me
apenas da quietude daquela terra severa,
das nuvens empilhadas sobre as colinas,
do esmaecer das florestas eternas.
cimeria, terra da noite e das trevas.

oh, alma minha, nascida das colinas encobertas,
de nuvens e ventos e fantasmas afugentados do sol,
quantas mortes servirao para romper, afinal,
a herança que me envolve em tristes
vestes de fantasmas? busco meu coraçao e encontro
cimeria, terra da noite e das trevas.